
Enquanto pego a estrada na carona de um caminhão vazio, tenho do meu lado um homem maltrapilho do interior e uma pilha de livros que li há tanto tempo que nem sei mais o que dizem, que mensagem passam e quem foi que passou. O caminhão anda entre solavancos e eu me encosto em seu ferro frio e morto para divagar sobre as nossas andanças sobre a Terra.
Chego à conclusão - em meio aos murmúrios do maltrapilho ao meu lado - de que o pessimismo é detestável. Estraga todo e qualquer sentido perdido da vida que ainda poderíamos resgatar. Pessoas que vivem com esse sentimento nunca conseguem entender o porquê de acreditar. Afinal vamos todos ao chão, ao mesmo lugar no final, então me perguntam - qual é a diferença? Porque é tão fácil pra você acreditar que existe um sentido, por mais medíocre que seja? - E eu respondo : ora, porque é tão difícil para você?
O que falta é humanidade. Eu vago pelas estradas e ruas desse mundo, sem muitos tostões no bolso e carregando livros que eu nem leio mais. Para quê? Eu não sei - talvez eu goste de me sentir livre. Talvez eu goste de poder ir ao chão com mais coisas para contar aos vermes sobre o que é viver.
Eu vejo de tudo, eu saio e procuro o que ver. Eu conto para todos e troco essas informações, na tentativa de salvar alguns pessimistas e mostrar à eles o que o mundo têm a oferecer - se quiserem ver. Soa um pouco moralista, mas não o é. Sou só um vagabundo lunático à caça de vida humana, à caça de fé, de algo que valha a pena sentir fé.
Enquanto procuro, preciso acreditar que os pessimistas estão se acabando. Assim posso continuar tranqüilo nessa caçamba de caminhão - com o homem lunático a divagar (como eu?) - e ir ao chão acreditando em alguma coisa - de que não joguei a minha vida fora...
Textinho novo.
Vou começar a escrever um dos meus livros, tenho idéias para uns 20.